Os índios brasileiros estão passando fome. "Para uma população total de 269.836 índios existente hoje no Brasil, pelo menos 28,27% (76.272) estão com dificuldades para garantir com segurança um bom padrão alimentar e de saúde", constatou uma pesquisa intitulada "O Mapa da Fome entre os Povos Indígenas no Brasil". O trabalho foi realizado em julho, mas só agora foi fechado pelo Instituto de Estudos Sócios-Econômicos (Inesc). Ele abrange 128 comunidades indígenas-- cerca de 22,57% do total das áreas pertencentes aos índios, segundo estimativa da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). De acordo com o trabalho coordenado pelo antropólogo e consultor do Inesc, Ricardo Verdum, as situações mais críticas da fome entre os índios foram verificadas entre os povos que habitam a Região Nordeste do país e entre os que vivem nos Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul-- notadamente os guaranis-caiovás, os guaranis-mbiás, os guaranis-nandeva, os guatós, os caigangs, os terenas e os xoclengs. No caso da Região Nordeste, de uma população total de 47.824 índios pesquisados, 40.130 (88,91%) foram incluídos na faixa da população que encontra dificuldades de sustentação alimentar. Contando com territórios reduzidos, a estiagem prolongada nos últimos
83609 anos só veio a agravar o difícil quadro a que tem sido submetida a
83609 população indígena da região, afirmou Ricardo Verdum. ""Uma parcela considerável desta população tem se empregado entre a população regional e nos núcleos urbanos, recebendo uma baixa remuneração", acrescentou. Quanto à população indígena que habita nos quatro estados da Região Centro-Oeste, foi constatado que um total de 29.913 índios estão com dificuldades para garantir satisfatoriamente sua própria sustentação. "Se tomarmos os números fornecidos pela FUNAI da população indígena nesta subregião, isto é, 50.185 índios, podemos concluir que este número da fome corresponde a 59,60% da população existente na área", explicou Verdum. Para o consultor do Inesc, "o fato mais representativo da situação de uma parcela considerável da população indígena desta região é o trabalho escravo e semi-escravo no Estado do Mato Grosso do Sul" (O ESP).