Os militares da Marinha, Exército e Aeronáutica dos quartéis do Rio de Janeiro estão às voltas com o inimigo interno. São bandos integrados por militares da ativa, especializados no roubo, furto e desvio de armas e munição, que se tornaram alguns dos principais fornecedores de armamento para as quadrilhas de traficantes, assaltantes e sequ"estradores do estado. Integrando corporações erodidas por baixos salários-- um recruta ganha R$110,00 e um soldado de um tropa de elite como o Batalhão de Forças Especiais, R$180,00-- eles crescentemente cedem à tentação representada, por exemplo, pelo preço de um fuzil automático leve (FAL) no mercado negro: até R$4 mil. Trinta por cento dos recrutas são filhos de pai desconhecido. A maioria
83594 é de favelados, diz um oficial do Exército, informando que um terceiro- sargento ganha cerca de R$350,00 mensais e um capitão, R$1 mil, e responsabilizando a degradação social do país pelo quadro. Os resultados da ação dos militares que mudam de lado no Rio são sentidos com força na segurança pública. Segundo a Polícia Militar, só em 1994, até setembro, foram apreendidos na capital dois fuzis FAL, sete granadas e 23 metralhadoras, mas o desvio é muito maior. Em processos nas seis auditorias da 1a. Circunscrição Judiciária Militar, há informações sobre o desaparecimento de nove fuzis, 256 armas de diferentes tipos e até um lança-mísseis (O Globo).