O percentual da População Economicamente Ativa (PEA) que ganha menos de um salário-mínimo subiu quase 14% nos três meses após o Plano Real, em comparação com os três meses anteriores. A expansão para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano, que pode esbarrar nos 6%, dificilmente melhorará as condições do mercado de trabalho, que são péssimas e estão até piorando. A avaliação é da economista do Centro de Estudos de Economia e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Maria Cecília Prates Rodrigues. O Plano Real, que fez as vendas no varejo aumentarem 30% nos seus três primeiros meses e a produção industrial subir 3,3% no período, não conseguiu evitar a elevação do percentual da PEA que ganha menos de um salário-mínimo. Nos três meses anteriores ao Plano Real esse percentual era de 20,9%, mas nos três meses posteriores, aumentou para 23,8%. Não se pode alegar, afirmou Maria Cecília, que isso seja uma decorrência do aumento do salário-mínimo: conforme seus cáculos, a média do valor do mínimo (a preços de julho) no segundo trimestre do ano foi de R$61,26, enquanto no terceiro situou-se em R$64,83, o que significou um acréscimo de apenas 5,8%. "A elevação do salário-mínimo, muito inferior à da diferença entre os percentuais dos dois períodos, não explica o aumento da precariedade do mercado de trabalho", disse. Esse indicador está agora muito pior do que nos três meses após o Plano Collor, quando era de 17,9%. No pós Plano Cruzado ele tinha chegado a 23,1%, mas nesse caso a razão foi o salário-mínimo, equivalente a R$108,00 no período. A informalidade do mercado de trabalho também está crescendo, pois os trabalhadores sem carteira assinada representaram, de julho a setembro, 24% da População Ocupada, enquanto de abril a julho esse número era de 23,3%; de 18,6% nos três primeiros meses do Plano Collor e de 20,8% no primeiro trimestre do Cruzado (O ESP).