O perfil político da Câmara dos Deputados eleita em três de outubro será diferente da atual. Registrou-se o crescimento da ala de centro, a redução da centro-esquerda e, finalmente, diminuição da direita. A tendência, de acordo com levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), é o surgimento de maior número de defensores das teses neoliberais, ainda que disfarçadas por discurso social-democrata. O DIAP chegou à conclusão de que a Câmara eleita "é mais provinciana que a atual", mas acentua a renovação no aspecto ético dos novos parlamentares. No Senado Federal, segundo o DIAP, houve aumento da bancada de esquerda. O PT cresceu de um para cinco senadores, o PSB manteve a vaga que tinha e o PPS elegeu um representante. Dos 20 senadores que tentaram a reeleição, somente nove renovaram os mandatos. O estudo do DIAP, que será transformado no livro "Radiografia do Novo Congresso", conclui que o Senado ganha em "qualidade, seriedade e dinâmica, retirando da Casa a pecha de clientelista e fisiológica, além de lenta na tomada de decisões". Os políticos tradicionais e provincianos perderam espaço. O Senado contará com 23 empresários, 21 advogados, nove engenheiros, sete economistas, seis professores, quatro médicos, três jornalistas, dois servidores públicos, um bancário, um sociólogo, um delegado de polícia, um veterinário, um antropólogo e um mestre de obras. O DIAP aposta que direita e esquerda serão as responsáveis pela polêmica do novo Senado. Mas a maior bancada é de centro. Das forças de esquerda, são mencionados Darcy Ribeiro (PDT-RJ), Eduardo Suplicy (PT-SP), Ademir Andrade (PSB-PA), Lauro Campos (PT-DF), Roberto Freire (PPS-PE), Benedita da Silva (PT-RJ), Marina Silva (PT-AC) e José Eduardo Dutra (PT-ES). Na direita, os grandes nomes são: José Eduardo Vieira (PTB-PR), Vilson Kleinubing (PFL-SC), Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), Francelino Pereira (PFL-MG) e Esperidião Amin (PPR-SC). No centro, destacam-se, segundo o DIAP: José Serra (PSDB-SP), Artur da Távola (PSDB-RJ), Pedro Simon (PMDB-RS), Josaphat Marinho (PFL-BA) e Roberto Requião (PMDB-PR), mais progressistas. E, mais conservadores: Iris Rezende (PMDB-GO), José Sarney (PMDB-AP) e Sérgio Machado (PSDB-CE). Com oscilações entre uma corrente e outra: Renan Calheiros (PMDB-AL), José Inácio Ferreira (PSDB- ES) e Bernardo Cabral (PP-AM) (O ESP).