As elites brasileiras, que em 1964 recorreram às Forças Armadas para derrubar o governo constitucional de João Goulart, hoje defendem o fortalecimento das instituições democráticas, em especial o Congresso Nacional. Essa é uma das conclusões de pesquisa do IUPERJ (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) com os 320 mais importantes representantes das elites realizada pelos cientistas políticos Maria Regina Soares de Lima, do próprio instituto, e Zairo Borges Cheibub, da UFF (Universidade Federal Fluminense), entitulada "Elites Estratégicas e Dilemas do Desenvolvimento". Nenhum dos entrevistados menciona a possibilidade de intervenção militar como ameaça à democracia. Nem mesmo a péssima imagem dos políticos junto à população diminui a importância que as elites dão às instituições. "Mesmo apontando a classe política como principal responsável pelos problemas do país, os entrevistados na pesquisa fazem a distinção entre as pessoas e a instituição Congresso", afirma Zairo. Ele destacou que embora alguns dos setores incluídos nas definições de elite pudessem ter mais facilidade de atuação em um regime de força, todos os entrevistados reafirmam sua preferência pela manutenção das regras do jogo democrático. No âmbito social, existem divergências em relação a problemas específicos propostos através de perguntas aos diferentes setores que formam as elites. Como exemplo, a maior parte dos empresários aponta a inflação como o maior problema que, para os sindicalistas, é o empobrecimento da população. Mas todos concordam em um ponto: as principais consequ"ências do aumento da pobreza são a violência, criminalidade e insegurança. Essa crença, que para Maria Regina "também é comum às massas", é um motivo de preocupação para Zairo: Isso leva a uma vinculação da pobreza com a violência". Mesmo assim, os dois pesquisdores acreditam que hoje existe por parte das elites "uma grande percepção do problema social" (JB).