A derrota do presidente Bill Clinton e dos democratas nas eleições para o Congresso dos EUA pode "esvaziar" a Cúpula das Américas, marcada para o próximo dia nove de dezembro, em Miami. A não ser que o atual Congresso norte-americano ratifique, até aquela data, o Tratado de Marrakesh, que transformou o GATT na Organização Mundial do Comércio (OMC). Os coordenadores do Grupo do Rio terminaram, ontem, no Itamaraty, em Brasília (DF), a redação do projeto de programa de ação que querem ver aprovado na reunião de Miami. O Brasil e os demais países do grupo (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Venezuela, Uruguai, Guatemala e Trinidad-Tobago) insistem nos seguintes pontos: apoio dos EUA ao desenvolvimento econômico, com aceitação total das novas regras de comércio aprovadas em Marrakesh; reconhecimento de que o problema do narcotráfico não é só dos países produtores, mas também dos consumidores; reconhecimento do direito de acesso dos países latino- americanos às tecnologias de ponta, tendo em vista a desnuclearização do mundo. O resultado das eleições nos EUA, com vitória republicana, não teve influência direta no trabalho dos diplomatas reunidos no Itamaraty. Mas alguns deles demonstraram preocupação ao comentar o eventual impacto dessas eleições na Cúpula. Segundo um alto funcionário do Itamraty, nem sempre resultados eleitorais internos influem na política externa dos EUA, onde, às vezes, governos republicanos têm sido mais "abertos" aos países em desenvolvimento do que os democratas. No entanto, os países integrantes do Grupo do Rio estão atentos à esperada ratificação pelo atual Congresso norte-americano da nova ordem comercial internacional consagrada em Marrakesh. Com o novo Congresso eleito, as propostas do Grupo do Rio teriam poucas possibilidades de prosperar (JB).