O líder da Unita (União Nacional pela Independência Total de Angola), Jonas Savimbi, acusou o Brasil e os brasileiros de serem responsáveis pela guerra de Angola. Numa transmissão da rádio "Voz do Galo Negro", ontem de manhã, Jonas Savimbi disse que o Brasil fornecia canhões de longo alcance e outros equipamentos de guerra ao governo constituído por partidários do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que renunciou ao marxismo há dois anos. De Paris (França), durante uma entrevista coletiva concedida pelos principais representantes da Unita no exterior, o companheiro de Savimbi há 33 anos, Ernesto Mulato, baseado em Bonn (Alemanha), acusou também os brasileiros de integrarem tropas mercenárias junto com cubanos e sul- africanos, "pilotando MIGs e atirando napalm e bombas de fósforo. Mas os mísseis mais destrutivos vêm do Brasil", acusou Mulato. A Unita, partido de direita que nasceu apoiado pela África do Sul do apartheid e pelos norte-americanos de então, nunca entendeu a atitude do Brasil, primeiro país a reconhecer a independência de Angola há exatamente 19 anos. O Brasil de 1975 era presidido pelo generel Ernesto Geisel. Hoje, no aniversário da independência, a Unita não se limitou a atacar o Brasil. Inclui entre os fomentadores da guerra angolana iniciada entre a Unita e o MPLA há 19 anos, também a África do Sul, Portugal e Rússia. A África do Sul "porque Mandela nada faz para retirar os três mil mercenários de Angola". Portugal, "porque continua a formar tropas para o regime de Luanda". E a Rússia "principal responsável pelo rearmamento do governo com a bomba atômica dos pobres". O chanceler brasileiro Celso Amorim não quis comentar as acusações do líder da Unita, lembrando que o Brasil mantém há muito tempo relações diplomáticas com o governo estabelecido em Luanda. Comentou que no caso da paz em Angola, é sempre difícil distinguir "o que é fato e o que é cortina de fumaça" (JB).