As pressões internacionais para que o mogno seja incluído na lista de espécies ameaçadas de extinção devem se intensificar, a partir de amanhã, na Convenção Internacional de Comércio de Espécies em Risco (Cites) que está sendo realizada em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA). No encontro, começará a circular um relatório com graves denúncias de ilegalidade envolvendo a extração e o comércio do mogno da Amazônia. O documento, feito pela organização não-governamental Amigos da Terra Internacional, foi entregue oficialmente ontem ao IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis). Na ocasião, os ambientalistas pediram ao governo que apóie a proposta de inclusão do mogno na lista das espécies ameaçadas de extinção. O estudo foi feito com base na análise de relatórios e documentos oficiais do próprio IBAMA e da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e reúne evidências de violações de legislação ambiental, trabalhista, comercial e de direitos humanos. O relatório comprova a extração de madeira em áreas indígenas-- proibida mesmo quando consentida pelos índios--, comercialização de mogno além das quantias autorizadas pelo IBAMA, utilização de trabalho escravo, falsificação de guias nas exportações e atividade de madeireiras não cadastradas. O objetivo do trabalho era analisar a atividade de extração do mogno, principalmente no Pará (responsável por 80% das exportações de mogno da Amazônia), depois de dezembro de 1992, quando a Associação de Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará (Aimex) assinou acordo com os importadores de mogno da Inglaterra, Timber Trade Federation (TTF), comprometendo-se a manter suas atividades dentro das normas legais. Depois de analisar alguns documentos do IBAMA e da FUNAI, os ambientalistas constataram que madeireiras associadas à Aimex continuam envolvidas em irregularidades. Segundo o relatório, entre os 18 casos de extração de mogno de reservas indígenas analisados, cinco envolvem madeireiras da Aimex. Dez madeireiras associadas à entidade comercializaram mogno além da quantidade permitida. Duas madeireiras da entidade também estão envolvidas com trabalho escravo. Outra constatação: todas as 20 autorizações de plano de manejo analisadas foram concedidas sem vistoria da área. O laudo assinado por três engenheiros florestais do IBAMA conclui: "É evidente que a maior parte das empresas que comercializam e exportam mogno estão manipulando dados florestais inventariados" (O ESP).