A cúpula da Igreja Católica vai transferir o padre Ricardo Rezende, vigário de Rio Maria, Sul do Pará, para uma diocese do interior de São Paulo. A decisão visa garantir a vida de Rezende, integrante de todas as listas de jurados de morte na conflitada região do Bico do Papagaio. A Igreja já iniciou as gesto`es para remanejar Rezende para longe dos focos de conflitos pela posse da terra. Há duas semanas, por iniciativa de seus superiores, padre Ricardo deixou Rio Maria às pressas, rumo a Belém (PA), de onde seguiu para Minas Gerais, seu estado natal. Em dezembro, ele viaja para os EUA, onde receberá o prêmio de Direitos Humanos da entidade Americas Watch por sua luta em defesa dos sem-terra do Sul do Pará. Ao retornar dos WUA, Rezende deverá ser imediatamente transferido para São Paulo. A decisão de forçar o padre a deixar Rio Maria coincidiu com a operação policial que vem sendo executada pelo delegado Gilvandro Furtado, da Secretaria de Segurança Pública do Pará, em fazendas de Rio Maria e Xinguara, apurando denúncias de que um novo sindicato do crime estaria atuando na região e que somente nos últimos três meses foi responsável pela morte de cinco pessoas em Xinguara. Uma das medidas adotadas pela polícia paraense foi conseguir na Justiça a prisão preventiva do fazendeiro Jerônimo Amorim, proprietário da Fazenda Nazaré, acusado como mandante do assassinato do ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, Expedito Ribeiro de Souza, em fevereiro de 1992. Amorim, que deve ser julgado pela morte de Expedito até o final de dezembro, em Belém, respondia ao processo em liberdade e, como o novo pedido de prisão preventiva, está foragido (JB).