O ministro da Justiça, Alexandre Dupeyrat, disse ontem que o "dia D" da operação militar de combate ao crime no Rio de Janeiro ocorrerá até o próximo dia 15, antes das eleições do 2o. turno. Ele negou a realização de "medidas espetaculares, com tiroteios, aviões e tanques nas ruas", mas já há sinais de movimentação estratégica das Forças Armadas para deflagrar o que os militares batizaram de Operação Rio. Dos 16 helicópteros de prontidão na Brigada de Aviação do Exército em Taubaté (SP), cinco foram destacados para o Rio. Quatro helicópteros-- dos do Exército, um da Polícia Civil e outro da Polícia Militar-- sobrevoaram a cidade ontem, obtendo fotos aéreas que auxiliarão na confecção de mapas. Caminhões e tanques foram vistos na Ponte Rio-Niterói à tarde. As Forças Armadas querem que a Operação Rio seja "exemplar", abrangendo, de uma só vez, uma grande área de favelas dominadas pelos traficantes. A partir de hoje, 20 juízes estarão de plantão dia e noite, à disposição da operação militar de combate ao crime, que irá custar cerca de US$50 milhões ao governo federal, conforme o diretor-geral da Polícia Federal, coronel Wilson Romão. Traficantes descontentes com a presença da polícia atacaram na madrugada de ontem, com tiros de fuzil AR-15, o prédio do Instituto Médico Legal (IML) de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Pelo menos três outras favelas estão se preparando para entregar parte de suas armas à polícia. O armistício tem sido encarado como única alternativa dos traficantes para evitar ações violentas nas áreas que controlam. A iniciativa do desarmamento, contudo, não partiu do tráfico, mas sim das lideranças comunitárias, que temem que algum inocente morra ou fique ferido durante as anunciadas operações militares (JB) (O Globo).