VINTE MIL NOVOS POSTOS DE TRABALHO APÓS O REAL

Os dados disponíveis do Ministério do Trabalho mostram que, nos primeiros dois meses do real, somadas demissões e contratações, a economia brasileira foi capaz de gerar pouco mais de 20 mil novos empregos, concentrados principalmente na agropecuária e no comércio varejista. Na agricultura, o aumento no registro de empregos se explica mais por uma tendência de mais empregados com carteira de trabalho assinada do que por maior absorção de mão-de-obra, acreditam os técnicos do Ministério do Trabalho. Os índices de crescimento de emprego, neste ano, só foram menores em fevereiro, quando as demissões superaram as contratações em 11 mil postos de trabalho. A indústria, que desde março vinha ampliando a absorção de mão-de-obra, encolheu em quatro mil vagas a oferta de trabalho no primeiro mês do real; em fevereiro, registrou um modesto saldo de contratações: 740 novos postos de trabalho. Nem indústria, nem comércio: para cumprir sua promessa de reduzir o desemprego e absorver a mão-de-obra que entra anualmente no mercado de trabalho, o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso (PSDB) terá de contar com o setor de serviços, em áreas como turismo, construção civil e infra-estrutura e estimular micro e pequenas empresas. Essa avaliação é consenso entre aliados e opositores de FHC, que, no entanto, se dividem em relação aos prognósticos. Enquanto a equipe de transição do eleito garante ser possível cumprir tranquIlamente a meta de se gerar entre 1,5 milhão a dois milhões de empregos anualmente, economistas como José Márcio Camargo, da PUC, garantem: será difícil compensar o desemprego causado pelo Plano Real, que estimulará empresas a aumentarem produtividade mecanizando atividades (JB).