Cursos comunitários. Por trás dessas palavras-- que traduzem espírito voluntário e solidariedade-- há cerca de 1.400 alunos que enfrentarão as provas seletivas das universidades, depois de muitos sábados e domingos de estudos intensivos. As regras são simples: basta ter disposição, empenho, vontade de aprender, não ter condições de pagar um cursinho particular e trocar o lazer por até 16 horas de aulas nos fins de semana. O curso pioneiro foi fundado há dois anos pelo frei David Raimundo dos Santos, de 42 anos, da paróquia de São João de Meriti (RJ). A princípio, o curso era dirigido a negros da Baixada Fluminense, depois que o religioso teve acesso a pesquisa que mostrava o baixo percentual de estudantes negros nas universidades brasileiras: apenas 5%. Dos 98 alunos da primeira turma do curso, 34 passaram no vestibular. A idéia deu certo e a procura aumentou. O público alvo cresceu. Hoje, cursos comunitários para o vestibular abrigam os chamados candidatos carentes, negros ou não. As frentes-- como o frei costuma chamar os cursos-- já são 24, com cerca de 1.400 alunos. A mais recente foi criada na favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro (Vestibular95-O Globo).