O ACESSO À INTERNET

Até abril do ano que vem, o acesso à Internet, a "rede das redes", vai estar ao alcance de qualquer brasileiro curioso por comunicações virtuais ou ávido por uma nova ferramenta de trabalho. A partir de dezembro, a EMBRATEL começa a disponibilizar o acesso comercial à "mãe das redes". Esse projeto inaugura no país o tronco paralelo ao uso acadêmico, serviço coordenado pela Rede Nacional de Pesquisa (RNP), que faz a ligação com a Internet há dois anos, por conexões de redes estabelecidas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Essa "teia", organizada pela RNP e voltada para educação e pesquisa, foi inaugurada interligando 11 estados com velocidades entre 9.600 bits por segundo e 64.000 bits por segundo e, hoje, conta com 50 mil usuários. Nesse tronco, estão universidades e instituições sem fins lucrativos, como o IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). Parceira da EMBRATEL no projeto do acesso comercial da Internet, a RNP conta com a ajuda da estatal para oferecer melhores serviços em 1995. Segundo o coordenador nacional da RNP, Tadao Takahashi, a idéia é alcançar uma velocidade de transmissão da ordem de 2 Megabits por segundo por linha dedicada para ter a conexão nacional e não mais estadual. Depois que a notícia do acesso comercial se espalhou, a curiosidade tomou conta de empresários e usuários comuns. Para quem quer saber como será oferecido esse novo serviço, a EMBRATEL adianta que vai estabelecer a conexão por três vias: linha discada e Renpac (Rede Nacional de Dados por Comutação de Pacotes), com velocidade máxima de 14.400 bps e 9.600 bps, respectivamente; e STM400, o serviço de correio eletrônico da estatal. Pela linha discada ou Renpac, o usuário pode ter acesso, além do e-mail,
83479 a qualquer serviço da Internet, como Gopher, FTP, Usenet e Telnet, promete Helio Daldegan, assessor especial da presidência da EMBRATEL. No caso do STM400, pela sua própria natureza, só será possível acessar o e-mail. Até abril, vamos oferecer acesso SLIP/PPP (que permite o uso da Internet
83479 por interfaces gráficas), linhas dedicadas e atingir a velocidade de 2
83479 Megabits por segundo, diz o assessor da estatal, que ainda não definiu as tarifas do serviço. Enquanto as "portas" para o admirável mundo da Internet estavam ao alcance acadêmico, o IBASE surgiu como um dos poucos caminhos para que pessoas físicas não envolvidas no ambiente científico pudessem entrar na "grande família" virtual, hoje com cerca de 40 milhões de componentes (dados divulgados em Ohio, EUA, há três semanas numa conferência de Indústria da Informação). De acordo com Tadao Takahashi, o IBASE, que não faz parte da espinha dorsal da rede Rio mas é um dos vértices da conexão, antecipou o cenário que o Brasil deveria alcançar em relação à Internet. A disponibilidade do acesso da Internet a ONGs e pessoas físicas adiantou
83479 o caráter amplo de utilização da rede. As comunicações com a Internet no IBASE são feitas através do AlterNex, que é um serviço internacional eletrônico de informações sem finalidade lucrativa com a Associação para o Progresso das Comunicações (APC). Para o analista de sistema Marco Paganini, usuário do AlterNex, os serviços do IBASE evoluíram muito desde 1993. De acordo com Carlos Alberto Afonso, coordenador executivo do IBASE e responsável pela conexão com a Internet, até janeiro, o AlterNex vai viabilizar a conexão por SLIP, o que significa oferecer opções mais amigáveis da interface que o Unix. "Os usuários poderão, então, usar mais facilmente a Internet. Para isso, vamos distribuir programas de domínio público, como o Mosaic, que funciona sobre interfaces gráficas, como Windows", diz Afonso. Para usar o AlterNex é preciso pagar uma taxa de inscrição equivalente a US$20. O custo mínimo de utilização por mês é de US$10, o que corresponde a três horas de uso em horário de tarifa reduzida, ou seja, após 20h. Afonso explica que a partir desse período, a primeira hora de uso sai por US$5, a segunda por US$3 e da terceira em diante o preço é US$2. É via AlterNex que a maioria dos BBS oferece e-mail aos seus clientes. Segundo Carlos Alberto Afonso, hoje o AlterNex reúne cerca de 43 BBS, seis estrangeiros. A ligação de BBS com o IBASE para enviar e receber mensagens é feita em períodos regulares. Conexões desse tipo só oferecem aos usuários de BBS serviço de e-mail, mas a maioria dos clientes o considera suficiente. Alguns BBS fazem a troca de mensagens a cada duas horas. Segundo Charles Miranda, coordenador do Inside, depois que foi aberto o acesso à Internet, o BBS passou a contar com dois públicos: os que usavam o BBS e descobriram a Internet e acharam que o BBS era a solução para acessá-la. "Acho que será interessante o acesso comercial, mas seria interessante que esse projeto não esbarrasse no monopólio das comunicações", comenta. Para Ricardo AG, sócio da AG Sistemas, empresa que desenvolve software básico, o uso da Internet por BBS é muito satisfatório. "Pago R$27 por semestre pelo uso do BBS CentroIn e ainda tenho conexão com a Internet. Troco informações com técnicos de suporte da Microsoft. Mais rápido que fax" (Informática-JB).