PROFESSORES FALTARAM QUATRO MILHÕES DE DIAS

No ano passado, a soma das faltas dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo atingiu quatro milhões de dias. É como se todos os estudantes tivessem perdido um mês inteiro de aulas. O piso salarial destes professores, que equivalia a R$855 em 1979, hoje é de R$144. Os dados são de César Callegari, ex-presidente da oficial Fundação para o Desenvolvimento da Educação no governo Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) e deputado estadual eleito pelo PMDB. Não se sabe quantos jovens e crianças perderam essas aulas. Nas estatísticas da Secretaria de Educação, há mais estudantes de oito anos matriculados nas escolas paulistas do que habitantes com essa idade no estado-- 100 mil a mais. Estes indicadores mostram a situação do ensino no fim do governo Fleury. O governo Fleury não cumpriu sua principal promessa na área de educação: transformar as escolas da rede em escolas-padrão: Isto é, dotá-las de equipamentos, reformá-las e torná-las mais autônomas. Das cerca de 6.700 escolas estaduais, 2.225 são padrão. Segundo o sindicato dos professores, são cerca de 1.500. Além de uma reforma administrativa, faltou dinheiro. O governo Fleury aumentou a fatia da educação na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 21,3% (1991), para 30% (1994 e 1995). Mas o governo estaria gastando hoje apenas 23%. De qualquer modo, a arrecadação do ICMS caiu 23% desde o início do governo. O resultado é que, em relação ao início do governo Franco Montoro (1983), a participação dos gastos com ensino no Orçamento do estado caiu de 15,63% para 10,62% em 1992 (FSP).