Pode parecer estranho, à primeira vista, que num país com déficit crônico de moradias como o Brasil, estimado em mais de 10 milhões de unidades, existam cerca de 50 mil casas prontas, esperando seus moradores. O que falta é renda para a população conseguir pagar o financiamento, explica o diretor de Fundos e Seguros da CEF, Waldir Catanzaro. Das 518.360 unidades habitacionais financiadas nos primeiros dois anos do governo Collor, 276.437 já foram vendidas. Das 241 mil restantes, cerca de 131 mil ainda estão em fase de produção. O início do problema da venda de casas populares foi o excesso de contratação de obras do governo Collor. O FGTS financiava uma média de 60 mil casas populares por ano. Com Collor, o número de unidades financiadas passou para mais de 130 mil unidades em 1990 e 366 mil no ano seguinte. A contratação excessiva fez com que o FGTS enfrentasse, ainda no final de 1991, falta de recursos para bancar o desembolso mensal dos financiamentos. Além disso, ficou provado depois que várias obras eram inadequadas e superfaturadas (O ESP).