A edição da "Revista Brasileira de Ciências Sociais" que deve circular na próxima semana traz uma pesquisa inédita da antropóloga Ruth Corrêa Leite Cardoso, a futura primeira-dama do país. Em parceria com a antropóloga Helena Sampaio, da USP, Ruth pesquisou a relação entre estudantes universitários e o trabalho. Sua conclusão: acabou aquela velha dissociação entre os jovens que só estudam (de famílias abastadas) e os que largam a escola para trabalhar cedo (de famílias mais pobres). Mais da metade dos estudantes entrevistados (54,8%) concilia algum tipo de trabalho com as aulas da faculdade-- sejam eles pobres, ricos ou de classe média, frequ"entem faculdades públicas ou privadas. Segundo o artigo, intitulado "Estudantes universitários e o trabalho", os jovens estão buscando precocemente o mercado de trabalho, não para assumir a função de arrimo de família, mas como uma saída para ingressar logo na sociedade de consumo. Para a pesquisa, realizada entre março e agosto deste ano, foram entrevistados 2.226 universitários nas cidades de São Paulo e Campinas, que estudam em 17 universidades particulares e três públicas. Descobriu- se que, em qualquer classe social, mais da metade dos estudantes trabalha. Isso é possível, segundo a pesquisa, porque a maioria estuda apenas meio período. A pesquisa também detectou o tipo de ocupação a que os universitários mais se dedicam. A maioria trabalha como estagiário, professor ou auxiliar de escritório. Também foram citadas as funções de vendedor, bancário e digitador (JB).