AS PREOCUPAÇÕES DA ARGENTINA NO MERCOSUL

A Argentina tem duas preocupações básicas que quer ver solucionadas antes de 1o. de janeiro, quando entra em vigor o MERCOSUL, ao lado dos sócios brasileiros, paraguaios e uruguaios: o Brasil deve modificar algumas práticas comerciais internas para permitir livre acesso a empresas argentinas e o Chile deve ser incorporado ao grupo o mais rápido possível. Temos que solucionar os entraves não-tarifários no Brasil e que dizem
83449 respeito à zona de livre comércio que vamos iniciar em janeiro, antes de
83449 avançarmos com a união aduaneira, disse ontem o secrtário de relações internacionais do Ministério da Economia da Argentina, Jorge Campbell. Ele citou como exemplo de barreiras não-tarifárias a política de compras da PETROBRÁS. "Não se trata de ela ser monopólio estatal, pois isso é decisão constitucional. O problema é quando ela publica uma resolução que impede as empresas argentinas de vender lubrificantes no Brasil", disse Campbell, lembrando que um regime de livre comércio implica dar condições de livre acesso aos parceiros do Brasil no MERCOSUL. O governo argentino também reclama da política praticada pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O minério de ferro produzido pela Vale, segundo alegam as autoridades argentinas, é vendido a preços subsidiados às siderúrgicas ligadas à estatal. O preço sobe quando o minério é vendido a uma empresa argentina. Vender medicamentos a partir de janeiro próximo também será complicado, dizem os argentinos. A burocracia para aprovar produtos novos pode estender uma operação por até dois anos. Diante disso, os argentinos defendem o direito de aplicar medidas compensatórias nas ocasiões em que suas empresas se sintam prejudicadas. Devemos revisar todas as políticas que afetam a competitividade e quando
83449 os problemas não forem superados, o país prejudicado deve tomar alguma
83449 medida, observou o secretário. Isso significa que a Argentina poderia dificultar a entrada de produtos brasileiros em seu mercado. A integração rápida do Chile, "se possível antes do final do ano", diz Campbell, foi pedida pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, na semana passada, quando esteve em Buenos Aires o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso. Ter o Chile como sócio abriria caminho aos quatro sócios do MERCOSUL ao Pacífico, além de facilitar as relações com os EUA (GM).