A Câmara Federal, primeira instância por onde devem passar as propostas de reforma constitucional que o presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), tem dito serem indispensáveis a sua gestão, terá apenas 33 neófitos em política. Os dados a que chegou o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) excluem o Rio de Janeiro, onde as eleições proporcionais foram anuladas, e revelam que, dos 217 "novos" deputados, 184 já tiveram experiência política anterior, quer como parlamentares quer como admnistradores. A lista é imensa. Entre os incluídos na "renovação" da Câmara estão sete ex-governadores, 40 ex-prefeitos, três ex-ministros, três ex- senadores, 19 ex-deputados federais, 58 ex-secretários estaduais, dois ex- secretários municipais, três ex-vice-prefeitos, três ex-vice- governadores, 13 ex-vereadores e dois ex-secretários de ministérios. De acordo com esses números, a renovação efetiva da Câmara se restringe a 6,5% do total de deputados da legislatura 1995-98. É uma redução considerável se se considerar a legislatura 1991-94. Nesta legislatura, o índice efetivo de renovação chegou a 35%. A intimidade dos "novos" com os trâmites do poder, segundo o diretor do DIAP, Antônio Augusto, poderá facilitar o trânsito de FHC pela Câmara. Eles levam para a Casa sua experiência política passada e reforçam a tendência de "profissionalização" da atividade parlamentar-política feita por políticos. Por outro lado, os "novos" podem levar para a Câmara eventuais vícios de seu convívio com os trâmites do poder e dificultar a tarefa, anunciada pelo presidente eleito, de renovar a "mentalidade" vigente nas práticas político-administrativas do Estado brasileiro (GM).