Para acabar com a corrupção da polícia estadual do Rio de Janeiro e garantir o sucesso das operações contra o crime organizado, como pretende o Exército, não basta promover uma grande limpeza nos quadros da corporação. O Ministério Público estadual defende uma solução mais radical. "A polícia do Rio tem de ser extinta", defende o promotor Antônio José Moreira, chefe de gabinete e um dos principais assessores do procurador-geral de Justiça, Antônio Carlos Biscaia. Responsável pelas investigações sobre a lista de propinas pagas pelos banqueiros do jogo do bicho, descoberta numa fortaleza do contraventor Castor de Andrade, Moreira diz que o relatório do Exército sobre a polícia fluminense foi modesto ao estimar em 70% o total de policiais corruptos na corporação. "Pelas nossas contas, o envolvimento chega a atingir 90%", assegura o promotor, ao apresentar esse índice como o principal argumento do Ministério Público para a tese de extinção da polícia. Com base em quase 300 denúncias apresentadas contra maus policiais, alguns deles integrantes da cúpula da Polícia Civil do Rio, o promotor afirma que os responsáveis pela segurança pública do estado trocaram de lado e hoje alimentam o crime organizado. O Ministério Público do Rio vem investigando a polícia há dois anos, num trabalho que resultou na denúncia por corrupção ativa e passiva de dezenas de policiais citados na lista de Castor. Para Moreira, os tempos românticos da corporação policial (dinheiro para cerveja ou vistas grossas para delitos) não existem mais. A polícia fluminense, explica, é a própria imagem acabada do crime, pois comete homicídios, trafica drogas, vende segurança para traficantes, sequ"estra bandidos ou inocentes de cargas roubadas, comete extorsões, contrabandeia armas pesadas e rouba carros. Biscaia, por exemplo, chegou a dizer que só existem 40 policiais confiáveis entre os milhares que compõem as Polícias Militar e Civil (O ESP).