NOVO SINDICALISMO INCLUI DISCUSSÃO DE QUESTÕES SOCIAIS

Gradualmente, empresários e trabalhadores descobrem que o uso das novas tecnologias disponíveis no mundo e a necessidade de competir com produtos importados têm que ser também assunto de negociação. Independentemente da conjuntura-- de corrida por correção salarial e reposição de perdas-- os encontros entre empresários e trabalhadores se multimplicam, para discutir o futuro da produção e do emprego e às vezes realidades bem mais complexas, como problemas sociais. O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, praticamente introduziu este novo modelo de sindicalismo no Brasil. Somente na semana passada, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Heiguiberto Navarro, o Guiba, reuniu-se duas vezes com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e ainda com dois prefeitos da região do ABC. A pauta incluía desde a preocupação com os meninos de rua até o treinamento dos trabalhadores para uma nova fase de produção automatizada e informatizada. Resistências existem, entre empresários e trabalhadores. O próprio Guiba conta que "parte da CUT, acostumada a pregar para meia dúzia de trabalhadores a revolução social, morre de medo de falar sobre coisas bem mais simples que a revolução, como contrato coletivo de trabalho e jornada de trabalho mais flexível" (O ESP).