SILÊNCIO É LEI PARA OS MENINOS DOS MORROS

Assim como os traficantes, as crianças dos morros do Rio de Janeiro (capital) não falam seus verdadeiros nomes ou apelidos para estranhos. Por recomendação dos pais, assustados com a guerra, seguem os códigos dos traficantes para evitar problemas. Não se aproximam de desconhecidos e não dão detalhes sobre o movimento nas favelas. Como seus pais, garantem que nunca viram nada e não sabem de nada. Obedecem ao "silêncio do morro". Os adultos mantêm para os filhos uma agenda tão superlotada quanto a dos garotos da zona sul. A diferença é que essa hiperatividade é resultado da tentantiva de mantê-los longe da guerra dos traficantes. Com receio de que passem o dia perambulando pelos becos dos morros, antes de saírem para o trabalho, os pais os encaminham para centros de apoio ou os deixam em casas de parentes, em locais afastados das favelas. Em vez de aulas de inglês ou natação, que preenchem o tempo dos meninos ricos, os pequenos favelados brincam, por exemplo, no Projeto Criança Esperança, em Botafogo, na zona sul, criado pela UNESCO. Lá, eles podem jogar futebol ou se dedicar às artes (O ESP).