Os solventes (cola de sapateiro, acetona, loló-- que é um coquetel de drogas) e o lança-perfume, seguidos da maconha e do cloridato de cocaína, ainda são as drogas mais consumidas na maioria das capitais da Região Sudeste do país, por meninos e meninas de rua. Mas em São Paulo é o crack que representa 23% das drogas consumidas por essas crianças. Os dados constam de pesquisa realizada pela Escola Paulista de Medicina e foram apresentados ontem no Ministério da Justiça, em Brasília (DF). Segundo a pesquisa, em Recife, 42% dos menores entrevistados confirmaram o uso diário de solventes, 25% o de maconha, 18,5% o de anticolinérgicos e ansiolíticos, destacando-se elevado percentual também em São Paulo (SP), Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE). Dentre as cinco capitais pesquisadas, apenas Recife não apresentou maior número de meninos e meninas de rua que relataram consumo de cocaína. Neste particular, São Paulo ocupa o primeiro lugar, com 41% deles afirmando que fazem uso da droga pelo menos uma vez no mês. O número de estudantes de 1o. e 2o. graus que usaram cocaína pelo menos uma vez na vida aumentou 71,4% entre 1989 e 1993, nas 10 maiores capitais do país. Esse é um dos resultados da terceira pesquisa do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), também divulgada no Ministério da Justiça. A pesquisa mostra que 1,2% dos 24.634 estudantes entrevistados já usaram cocaína e derivados pelo menos uma vez. Em 1989, esse índice era de 0,7%. O uso eventual de maconha e anticolinérgicos também teve aumento significativo. O percentual de usuários (pelo menos uma vez) de maconha subiu de 3,4% em 1989 para 4,5% em 1993 e o de anticolinérgicos, de 1% (89) para 1,4% (93). O único grupo com uso em queda significativa é o dos barbitúricos (soníferos): de 2,1% em 89 para 1,3% em 93. No ano passado, 22,8% dos estudantes já haviam usado algum tipo de droga pelo menos uma vez. Esse índice, em 89, foi de 26,3%. Para os pesquisadores do Cebrid, a queda entre 89 e 93 é insignificante, porque os índices continuam superiores aos de 87 (21,1%), quando foi feito o primeiro levantamento (JC) (FSP).