O Exército está sendo acusado de saquear roças de índios na região do Rio Curicuriari, no Médio Rio Negro (AM), durante exercícios de instrução militar. Até armadilhas de guerra estariam sendo instaladas no território indígena, colocando em risco a segurança dos índios. A denúncia foi apresentada à Procuradoria Geral da República, no início deste ano, pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) mas, segundo a entidade, nada foi feito. "Eles arrasam nossas plantações", atesta o presidente da Foirn, o índio Braz de Oliveira França, que inocenta os soldados: "Eles estão em exercício de sobrevivência na selva, famintos, e vão comendo o que acham pela frente". Braz de Oliveira responsabiliza os comandantes militares da área: "São eles que dão as ordens". Os soldados são do 5o. Batalhão Especial de Fronteira, sediado em São Gabriel da Cachoeira (AM). Os índios que habitam a região do Médio Rio Negro falam 20 línguas diferentes e fazem parte de 15 tribos. Eles reivindicam a demarcação de uma área de 2,142 milhões de hectares. Autoridades locais resistem à demarcação alegando que a área é muito extensa e inclui parte do Rio Negro-- a única via de comunicação entre os municípios (JB).