Alguns setores da indústria e do comércio estão tendo de adiar seus planos com relação ao MERCOSUL. O livre comércio entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai-- que entra em vigor em 1o. de janeiro do próximo ano-- será limitado devido às exceções negociadas por estes países. Por pressão da Argentina, a zona de livre comércio para alguns produtos dos setores siderúrgico, celulose, têxtil, vestuário, além de açúcar, café solúvel e suco de laranja valerá somente em 2000, e não mais no início de 1995, conforme a previsão original. Uma das empresas atingidas pela medida é a Hering, do setor de vestuário. Com o fim do Imposto de Importação (II), a empresa planejava aumentar as exportações para a Argentina, a partir de janeiro de 1995, com o objetivo de abastecer suas 70 lojas naquele país. Agora, com a manutenção das tarifas, a empresa já pensa em buscar produtos chineses para vender em suas lojas argentinas. Mudaram as regras do jogo, queixa-se o diretor-técnico do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia), Rudolf Buhler. O pior, segundo ele, é que até agora não foram especificados quais produtos serão exceção à zona de livre comércio e suas respectivas alíquotas de II. "Precisamos de regras claras para negociar", disse (FSP).