O Banco Mundial (BIRD) divulgou esta semana um relatório sobre os projetos ambientais que vem patrocinando na América Latina. Intitulado "Uma parceria para o Progresso do Meio Ambiente - O Banco Mundial na América Latina e no Caribe", o documento cita algumas dezenas de projetos de sucesso e sugere aos leitores que tais iniciativas foram o resultado de uma parceria feliz entre o banco e as comunidades beneficiadas. Desde 1986, o BIRD adotou novos critérios para destinar dinheiro para o desenvolvimento do Terceiro Mundo. A verba só saía depois de receber aval de consultores em meio ambiente recrutados entre entidades ecológicas. Com a chave do cofre na mão, o BIRD pressionou pelo bolso os países pobres e convenceu-os a mudar de atitude. Sua carteira de empréstimos para a área ambiental elevou-se para US$9 bilhões neste ano, distribuídos em 118 projetos espalhados pelo planeta. As histórias de sucesso que brotaram dessa estratégia estão no relatório divulgado ontem. Um dos casos citados envolveu o projeto de uma central de tratamento de esgotos no estado brasileiro do Espírito Santo. O projeto prejudicaria um grupo de artesãs, pois seria instalado sobre um depósito de argila, que elas usavam como matéria-prima para a fabricação de panelas. O centro de tratamento de esgotos só recebeu dinheiro do BIRD depois que foi garantido às artesãs o acesso a outro depósito de argila. Além do cuidado em contemplar projetos ecologicamente corretos, o BIRD também aumentou em cinco vezes a carteira de empréstimos para projetos ambientais na América Latina desde 1987. Hoje, 23% dos empréstimos do banco destinam-se à região. Em 1990, eram apenas 5%. Neste ano, foram aprovados 25 projetos na área ambiental na América Latina. Uma preocupação crescente do BIRD relaciona-se aos direitos dos povos indígenas. A instituição só libera verbas para projetos envolvendo indígenas se forem assegurados a eles benefícios sociais e econômicos. Foi aberta até uma linha de crédito para populações indígenas com terras demarcadas (JB).