MATÉRIA-PRIMA AINDA É MAIOR EXPORTAÇÃO DA AMÉRICA LATINA

Os países da América Latina e do Caribe continuam sendo apenas produtores de matérias-primas e embaladores de mercadorias que dependem do uso intensivo de mão-de-obra barata. As conclusões são de um estudo ("Progresso social e econômico na América Latinal") do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), citadas pelo presidente da instituição, Enrique Iglesias, em uma conferência de imprensa em Washington (EUA). Segundo Iglesias, para resolver este problema, os latino- americanos deveriam procurar aumentar suas exportações com mais produtos de valor agregado, com manufaturas de maior componente tecnológico. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) revelam que desde meados de 1993 os preços das exportações manufaturadas dos países em desenvolvimento aumentaram 3%, enquanto o dos embarques de matéria-prima cresceram 16%. Também em 1993, a região apresentou déficit comercial, pelo segundo ano consecutivo: a soma das exportações destes países passaram de US$127 bilhões em 1992 para US$133 bilhões em 1993, enquanto as importações saltaram de US$138 bilhões para US$150 bilhões. Conforme levantamentos realizados pelo informe do BID, as exportações latino-americanas continuam na dependência das matérias-primas que, salvo raras exceções, como o café, vêm tendo suas cotações depreciadas no mercado internacional nos últimos tempos. O estudo observa, contudo, que as perspectivas para este ano se mostram um pouco melhores que a de anos anteriores (JB).