A provável privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), a maior exportadora de minério-de-ferro do planeta, não afetará significativamente o controle estatal no mercado mundial da commodity não- energética mais negociada no mundo (US$7,5 bilhões por ano). A conclusão é de especialistas reunidos em Genebra pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD). Doze das 20 maiores empresas de minério-de-ferro do mundo são estatais, e a UNCTAD diz que algumas delas, como a CVRD e a sueca LKAD, estão entre as mais bem- sucedidas. O Brasil controla 15,8% da produção total de minério-de-ferro através da CVRD e detém quase 30% do mercado internacional, onde fatura US$2,3 bilhões por ano. A UNCTAD estima que políticas mais liberais no setor mineral vão contribuir amplamente para a realização de joint ventures, como já vem sendo negociando a China com Austrália, Brasil e África do Sul, para garantir seu extraordinário consumo. Embora primeiro produtor mundial, com o Brasil em segundo, a China só consegue hoje cobrir 70% de suas necessidades, enquanto aumenta a procura por aço para construção civil, automóveis e outros setores (JB).