BID: AUMENTOU A POBREZA NA AMÉRICA LATINA E NO CARIBE

A pobreza e o desemprego estão crescendo na América Latina e no Caribe, onde a metade dos países teve um ritmo de crescimento econômico inferior a 1%. A informação consta do "Relatório de Desenvolvimento Econômico e Social de 1994", divulgado ontem pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Segundo o relatório, que analisa o desempenho dos países da região durante o ano passado, sete dos 26 países associados ao BID tiveram crescimento negativo e seis deles apresentaram um virtual estancamento da economia, crescendo 1%. "Os países do MERCOSUL mostraram taxas de crescimento mais elevadas, particularmente devido ao maior dinamismo do Brasil", ressalta o relatório, acrescentando que isso resultou em expansão da produção regional, que passou de 1,9% para 5,2% entre 1992 e 1993. "A América Latina pode ter um desempenho melhor, e terá", disse o presidente do BID, Enrique Iglesias. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de toda a região cresceu apenas 1,5% entre 1990 e 1993, depois de uma queda de 1% entre 1980 e 1990. Por regiões, no México e em toda a América Central o ritmo de crescimento do PIB diminuiu de 3,3% em 1992 para 0,8% em 1993. Nos países andinos, o ritmo de crescimento do PIB caiu de 5,2% para 2,8% no segundo período. Pelo terceiro ano consecutivo, o Caribe continuou registrando uma taxa de
83364 crescimento reduzida (0,9%), apesar do aumento da atividade turística, indica o informe. De acordo com o informe, a abertura das economias da América Latina atraiu US$68,9 bilhões em investimentos estrangeiros no ano passado-- 41% a mais do que em 1992 e quase seis vezes o que a região recebera em 1990. A maior parte do dinheiro foi dirigida ao setor privado. Ao Brasil coube a maior parcela: US$10,7 bilhões. Cerca de 60% desse bolo entraram através das bolsas de valores. A inflação em geral caiu em 1993, como resultado de esforços dos governos latino-americanos para conter os gastos do Estado e para manter equilíbrio orçamentário. O relatório do BID também enfatiza a necessidade de se melhorar a distribuição da riqueza na região e de se assimilar as novas tecnologias nas sociedades, por meio de programas de educação e treinamento profissional. A dívida social, com o peso da pobreza que afeta 40% da população, continuará nos próximos anos, e é provável que seja necessária toda uma geração para superar esta crise, atacada de diferentes modos nos diversos países, conclui o documento (JC) (FSP) (O ESP) (O Globo).