O general Roberto Jugurtha Câmara Sena, carioca, morador de São Conrado e atual comandante da Artilharia Divisionária da 1a. Divisão do Exército, no Rio de Janeiro (RJ), será o comandante da operação militar contra a violência no Rio. Seu nome foi definido em reunião realizada entre o ministro do Exército, general Zenildo Lucena, e o comandante militar do Leste, general Edson Mey. Em sua primeira entrevista, o general Câmara Sena garantiu que as Forças Armadas farão todo o possível para devolver a tranquIlidade ao Rio. Mas ele reconheceu que o combate ao poder paralelo exercido pelos traficantes é complexo, exige cautela e que ninguém espere uma solução a curto prazo. "Tudo vai ser feito em uma dosagem correta, para resguardar a segurança da população", afirmou o general, lembrando que "no meio disso tudo há uma população de bem e nós temos de pensar muito como devemos trabalhar". Câmara Sena não revelou quando serão deflagradas as operações e disse que algumas missões terão de ser submetidas previamente ao presidente Itamar Franco. O comandante das operações militares contra o crime já participou de uma ação para recuperar armas do Exército em três favelas de Campinho e em Cascadura, em agosto último. Uma das primeiras providências do Comando Militar do Leste ao assumir o comando da operação contra o crime no Rio será sanear a Polícia. Policiais civis e militares suspeitos de envolvimento com o crime organizado ficarão longe de qualquer operação conjunta. Um general do CML informou que o Exército, para fazer com que se cumpra a lei, deverá exigir, por exemplo, o afastamento de todos os policiais envolvidos na lista de propinas do jogo do bicho e já denunciados na Justiça. Os riscos de uma fuga em massa de bandidos do Rio levaram São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo a instalar barreiras policiais nas divisas com o Estado do Rio de Janeiro (JB) (O Globo).