BIRD VAI REVER ATRASOS DO BRASIL

Dennis J. Mahar, que em 1o. de janeiro passa a ser o novo representante do Banco Mundial (BIRD) em Brasília (DF), terá como tarefa principal tocar a delicada negociação do banco com o governo brasileiro sobre o atraso nos compromissos assumidos pelo país com os projetos já acertados e ainda não implementados. Da carteira total de recursos aprovados pela instituição para o Brasil, de US$7,2 bilhões neste ano fiscal, US$5 bilhões ainda não foram desembolsados e a taxa de compromisso que o país deveria estar pagando anualmente, de cerca de US$1 bilhão, está desembolsada apenas pela metade. Com os entraves na obtenção das contrapartidas de recursos brasileiros nos projetos tocados com o BIRD, o Brasil tem pago ao banco mais recursos do que recebe. O economista norte-americano prepara-se para discutir o assunto com o novo governo. O BIRD, diz, ainda ignora os detalhes do programa do presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Acelerar o programa de privatizações e atrair investimentos diretos seriam, na opinião da instituição, requisitos básicos para que o país consiga combater com eficácia a pobreza. As parcerias com o setor privado seriam o caminho para garantir o financiamento para recuperação da infra-estrutura que vão exigir na América Latina, segundo estimativas do BIRD, investimentos de US$60 bilhões anuais nos próximos 10 anos (JB).