A cidade do Rio de Janeiro instalou ontem o mais novo movimento para tentar recuperar a auto-estima. O Salão Nobre do Itamaraty, no centro, ficou lotado com os 280 integrantes do Conselho da Cidade, composto por personalidades famosas e lideranças populares, que terão o objetivo de, divididos em cinco grupos temáticos de trabalho, propor soluções para que o Rio volte a ser a Cidade Maravilhosa. O Conselho da Cidade terá sua primeira reunião de trabalho em dezembro, quando avaliará as respostas dadas por 200 cariocas a uma pesquisa que detectou os principais problemas da cidade: 95% dos entrevistados consideram a falta de segurança e o esvaziamento econômico do estado as principais causas da crise. Inspirado em experiências bem-sucedidas de cidades dos EUA e Europa, o Conselho dará partida ao Plano Estratégico da cidade, criado por iniciativa da Associação Comercial, Federação das Indústrias do Rio de Janeiro e prfeitura. O financiamento do plano será feito por um grupo de 48 empresas, num consórcio. Minha experiência demonstra que o Conselho só funcionará se for mantido
83352 e exercido o conceito de cidadania do ponto de vista mais amplo possível, disse o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. "Se for apenas a prefeitura dando as cartas não vai funcionar". Betinho disse ainda que o povo está mais propenso a participar de tomadas de decisão. "Hoje o narcotráfico reflete o abandono de uma cidade que deveria ter sido ocupada pela cidadania, quando as associações de moradores, por exemplo, eram mais fortes que a criminalidade. Naquela época, a sociedade dominava as favelas. Mas houve uma separação entre a sociedade e o poder público. Com o Conselho, será possível promover parcerias entre o governo e o cidadão", comentou. O coordenador do movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes, disse que, com este plano, o Rio já estará recuperado em 1995. "Será o ano da virada", afirmou (O ESP) (O Globo).