O presidente Itamar Franco e o governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), assinaram ontem um convênio cujo texto evita a palavra intervenção mas que entra em vigor hoje com o Comando Militar do Leste promovendo um saneamento nas polícias Civil e Militar. A "limpeza" das polícias é o ponto de partida para a organização de uma operação militar destinada "à prevenção e repressão do contrabando de armas e do tráfico de drogas" no Rio de Janeiro. Todas as ações serão comandadas por um órgão central que será dirigido por um general a ser indicado pelo Exército. O comando geral das operações terá poderes ainda sobre a Polícia Federal, e a intervenção durará até o final do governo. Logo após o 2o. turno das eleições, o presidente Itamar irá anunciar um pacote de medidas antiviolência complementares ao convênio de cooperação assinado ontem. Antes do anúncio, Itamar e Nilo vão ouvir o futuro governador do Rio e o presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), cuja equipe já está trabalhando na coleta de dados sobre a violência no Rio. Os principais pontos do convênio assinado ontem são: -- formação de um órgão Central sob a direção do comando militar do Leste para planejar, coordenar e unificar a atuação das secretarias de estado da Justiça, da PM, da Polícia Civil e da Defesa Civil, no combate à criminalidade. -- O comando militar do Leste indicará O comandante geral das operações. -- A União prestará, ao órgão central, orientação e assistência técnica, operacional e material. -- A União intensificará a vigilância aos acessos aéreos, marítimos e terrestres ao Estado do Rio de Janeiro, para coibir o contrabando de armas e o tráfico de drogas. -- Na medida das necessidades, a União reforçará os efetivos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal no Rio com vistas à repressão do tráfico internacional de entorpecentes e armas. -- O convênio vigorará a partir de hoje até 30 de dezembro de 1994, podendo ser prorrogado por prazo a ser convencionado entre as partes. O ministro do Exército, general Zenildo Zoroastro de Lucena, considera que a participação das Forças Armadas no combate ao crime organizado não terá resultados imediatos. "Nós vamos chegar lá, mas a coisa será feita a médio e longo prazos", disse (JB) (O Globo) (O Dia).