BIRD DÁ PRIORIDADE A PROJETOS JÁ APROVADOS

A prioridade do Banco Mundial (BIRD) para a área ambiental no Brasil está direcionada para a implementação dos projetos já aprovados, que de 1987 até hoje somam US$3,3 bilhões, o maior volume de recursos aprovados para um país latino-americano nessa rubrica. Novos projetos estarão em grande parte condicionados à capacidade do novo governo de viabilizar o desembolso de recursos já aprovados, que, na avaliação da instituição, tem sido muito deficiente. Não faz sentido iniciar novos projetos se há tantas pendências, diz Dennis Mahar, ex-chefe da Divisão de Meio Ambiente para a América Latina e o Caribe do BIRD que a partir de 1o. de janeiro de 1995 assume a a chefia da representação da instituição no Brasil. Os novos financiamentos, segundo ele, serão definidos por novos critérios. Uma das mudanças, por exemplo, será uma grande ênfase para problemas urbanos. Outra tendência será dar mais atenção a projetos que tenham forte componente ambiental, como os de saneamento básico e de utilização de fontes alternativas de energia. A idéia é trabalhar em conjunto com os governos dos países da América Latina para incorporar componentes ambientais no planejamento dos projetos de desenvolvimento e nas políticas setoriais, de agricultura, reflorestamento, água, energia, indústria e transportes. Projetos tipicamente ambientais, como o da reforma dos órgãos ambientais brasileiros visando melhorar a sua eficiência, serão cada vez menos contemplados por financiamentos do BIRD; projetos de desenvolvimento com forte componente ambiental, cada vez mais, segundo Mahar. Entre julho de 1993 e junho deste ano, nem metade dos desembolsos que haviam sido programados foram de fato liberados. Sobretudo por causa de uma rede de burocracias que retardam a liberação de contrapartida e o cumprimento de outras exigências previstas nos contratos, até mesmo nos casos de doações, o governo brasileiro utilizou apenas US$644 milhões de um total de US$1,4 bilhão já disponível. Sem exceção, os 25 projetos brasileiros sob implementação com recursos dos BIRD ficaram aquém da programação da instituição. Em alguns casos, o governo brasileiro tomou menos de 30% do que havia sido programado (GM).