Que a razão prevaleça. Esta é, em síntese, a posição que o Movimento Viva Rio defende em manifesto lançado hoje sobre a escalada da violência no Rio de Janeiro. O manifesto foi enviado ao presidente Itamar Franco, ao governador Nilo Batista (PDT) e ao presidente eleito Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Remando contra a maré favorável à decretação do estado de defesa, o Viva Rio advoga uma ação integrada dos governos federal e estadual, mas sem intervenção no estado e sem ações excepcionais, como fez questão de ressaltar o coordenador do movimento, o antropólogo Rubem César Fernandes. "O que a gente espera é que o presidente e o governador se entendam. Uma intervenção, a esta altura, em fim de governo e em período eleitoral, seria um golpe na construção da democracia", disse Rubem César Fernandes. Na sua análise, o clima de violência na cidade nas últimas semanas tem dois vértices: um, o do tráfico, que começou a atuar de forma mais ousada, proibindo escolas de funcionar e ameaçando delegacias; e outro, o da Polícia, sobretudo a Civil, que, na visão de Rubem César, passou a agir com uma autonomia quase anárquica. Para ele, a atuação das Forças Armadas criará um choque de autoridade no sistema policial (O Globo).