O governo quer evitar que as empresas e a própria Justiça do Trabalho continuem concedendo antecipaçoes e aumentos reais de salários aos trabalhadores. Segundo o ministro do Trabalho, Marcelo Pimentel, foi por este motivo que o governo decidiu incluir na quarta edição da Medida Provisória do Real o artigo 78, que explicita que as antecipações concedidas desde a conversão dos salários para a URV (Unidade Real de Valor) têm de ser descontadas na data-base. A nova MP caiu como uma bomba junto às grandes categorias que têm data- base em novembro, como químicos (330 mil) e metalúrgicos de São Paulo (800 mil). Os químicos tiveram, em média, 15% de antecipações e o índice de reajuste previsto por lei na data-base deles é de 15,67%. Ou seja, receberiam 0,67%. Os metalúrgicos também têm direito a 15,67% de reajuste em novembro e tiveram antecipações de 10% a 44%. Ou seja, muitos não terão reajuste. Carlos Alberto Grana, presidente da Federação dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que a nova MP é uma "agressão" ao processo de livre negociação (FSP).