Crianças e adolescentes brasileiros são explorados no trabalho, exercem atividades perigosas e insalubres e produzem tanto quanto os adultos, mas ganham salários três vezes menores. As conclusões são do estudo Trabalho do Adolescente - Mitos e Dilemas, concluído em maio por pesquisadores da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e CUT (Central Única dos Trabalhadores). O estudo se baseia em entrevistas com menores trabalhadores e em dados do IBGE. É uma das fontes do relatório do Departamento de Trabalho dos EUA sobre o trabalho de crianças. De acordo com o estudo, 7,5 milhões de pessoas com idades entre 10 e 17 anos trabalham no país. Entre os que têm entre 10 e 14 anos, cujo trabalho é proibido, 91% recebem menos de um salário-mínimo (R$70,00) e apenas 8% têm carteira assinada. O estudo afirma que crianças e adolescentes trabalham em situações constrangedoras e em jornadas de até 12 horas. Muitos sequer são remuneradas-- 47,4% entre os da faixa de 10 a 14 anos. A pesquisa liga o trabalho infanto-juvenil ao analfabetismo, porque as crianças deixam de ir à escola para trabalhar. O índice de analfabetismo é de 14,4% na faixa etária de 10 a 14 anos. Diz o documento que as jornadas de trabalho são incompatíveis com a escola. "Os adolescentes são vencidos pelo cansaço, não conseguem aprender. O que há é um trabalhador que estuda, e não um estudante que trabalha". O trabalho de menores no Brasil, segundo o estudo, está associado à pobreza. A atividade serve para complementar a renda familiar, mas prejudica o trabalhador-mirim. "O trabalho precoce, penoso e insalubre destrói as possibilidades de desenvolvimento físico, emocional e social", diz. O estudo conclui que o trabalho infantil gera "dupla exclusão": o adolescente nem se escolariza, nem se forma profissionalmente. Isso ocorre, em parte, porque o emprego de crianças e adolescentes é predominante na economia informal e clandestina. Além disso, exercem atividades mecânicas e repetitivas (FSP).