GREENPEACE VAI À JUSTIÇA CONTRA EXPULSÃO

O advogado da entidade ambientalista Greenpeace, Renato Bastos, entrou ontem na Justiça Federal, em Belém (PA), com um mandado de segurança solicitando o cancelamento da expulsão do país do navio MV Greenpeace e de sua tripulação. Representantes da entidade também enviaram um protesto formal contra a expulsão ao presidente Itamar Franco. A expulsão foi determinada pelo superintendente da Polícia Federal do Pará, Fábio Caetano, em virtude de uma ação do grupo que paralisou por duas horas o porto de Santarém, no último dia 27. A notificação da PF determina que o navio tem 72 horas para deixar o país, a contar daquele dia. Segundo a PF, os estrangeiros do navio feriram a Lei dos Estrangeiros (no. 6.815/80), que proíbe a eles se Imiscuirem direta ou indiretamente nos negócios públicos do Brasil"-- o que teriam feito paralisando o porto de Santarém. Segundo o chefe da PF em Santarém, Paulo Leandro, os ativistas não estão sendo expulsos. "Eles só foram notificados a deixar o país em 72 horas. Caso contrário, eles serão presos e extraditados". A paralisação do porto foi um protesto contra o corte ilegal de madeira na Amazônia. Cerca de 30 ativistas, brasileiros e estrangeiros, ocuparam o navio cargueiro ucraniano Kapitan Trubkin, que estava no porto. O navio leva 72 mil toneladas de madeira para a Ásia e Europa. Os ambientalistas colocaram uma faixa de protesto esticada entre dois guindastes do navio e subiram nas pilhas de madeira, impedindo o embarque da carga (FSP).