Se depender de um grupo de 54 fundações e institutos, vinculados a grandes corporações do país, a filantropia empresarial que se pratica no Brasil em breve vai se profissionalizar e pode até ter o condão de promover mudanças no panorama social do país. Trata-se do Gife (Grupo de Instituições, Fundações e Empresas), uma entidade informal criada há três anos. O objetivo inicial era promover a troca de experiências entre os braços filantrópicos de meia centena de empresas, como a empreiteira Norberto Odebrecht, a indústria Maxxion, Iochpe ou a Alcoa Alumínio, que destinam anualmente, através de fundações, US$100 milhões por ano a projetos nas áreas de educação, saúde e ecologia, entre outras. A iniciativa deu certo, mas a fase de intercâmbio de experiências já está superada. Hoje, o grupo prepara-se para conquistar um novo status. Deve tornar-se, a partir do ano que vem, uma Organização Não- Governamental (ONG), com sede própria, diretoria, estatuto jurídico e capacidade para receber recursos para projetos. O objetivo do Gife em sua nova fase não é propriamente patrocinar novos projetos, que continuarão a cargo de cada fundação. O que se busca agora é ampliar a captação de recursos para as chamadas ONGs. O grupo quer trabalhar por uma mudança na legislação sobre doação de dinheiro às ONGs, que hoje está a cargo quase que exclusivamente das empresas. Nos EUA, o cidadão, em vez de pagar seu quinhão de imposto para o Fisco,
83278 pode pegar esse dinheiro e destiná-lo a uma ONG com que se identifique, na
83278 forma de doação, conta Adenil Vieira, gerente de projetos da Fundação Emílio Odebrecht, da Bahia. "Existe até um escritório, controlado pelo governo norte-americano e pelas empresas, que promove a conversão do dinheiro diretamente para as entidades. Queremos mudar a legislação brasileira para ampliar a capacidade de arrecadação das ONGs", diz ela. Nos EUA, onde as ONGs movimentam US$600 milhões de dólares por ano, 70% desse dinheiro são doados por pessoas físicas, graças a essa regra fiscal. Outra meta é dar formação para os dirigentes das ONGs, tirando de cena o voluntarismo amador que marca essas instituições (JB).