A Cúpula das Américas, que será realizada em dezembro, em Miami (EUA), será uma boa oportunidade para que a América Latina possa conhecer e compreender a política internacional do governo norte-americano e suas regras para os países em desenvolvimento. "Qualquer chance de diálogo com os EUA deve ser aproveitada", disse o embaixador brasileiro na Alemanha, Francisco Thompson Flores Neto, que participou ontem, em São Paulo (SP), do 2o. Fórum MERCOSUL/NAFTA. O embaixador acredita que o encontro com os EUA será benéfico para que os países latino-americanos possam ter mais conhecimento sobre o que ele chamou de "pano de fundo internacional". Segundo ele, as questões fundamentais que definem esse "pano de fundo" são a postura dos norte-americanos sobre a futura Organização Mundial do Comércio (OMC), financiamentos internacionais, funcionamento e critérios do BIRD e do FMI, bem como uma questão considerada bastante delicada, que é a de transferência de tecnologia. Para o ex-presidente da Argentina, Raúl Alfonsín, no entanto, "a reunião não vai ser muito importante. Não mudará nada para nós. O tempo é curto, e a cidade eleita é péssima". Ele acredita que na chamada Cúpula de Miami não serão anunciadas medidas de impacto como, por exemplo, uma proposta para reativar a idéia de ampliar o NAFTA para o resto do continente. Para José Augusto Guilhon Albuquerque, coordenador do Fórum, os temas propostos pelos EUA para discussão (narcotráfico, meio ambiente e democracia) são muito genéricos e refletem apenas seus problemas domésticos. "Os países latino-americanos querem levar as questões sociais e econômicas para a agenda", disse ele (GM).