Adquirir antigas áreas de floresta completamente degradadas pela ocupação predatória pode parecer um péssimo negócio à primeira vista. Mas esta é uma das principais atividades do empresário do ano do Pará, Danilo Remor. Escolhido pela Associação Comercial do estado por sua propalada agilidade, ele vê nessas terras o futuro da indústria de madeira da Amazônia. A sua empresa-- a Maginco-- pretende plantar espécies nativas de árvores em pelo menos 300 hectares por ano-- um dos exemplos mais destacados da nova tendência entre as medeireiras da região. Mas a preocupação por trás dessa iniciativa não se baseia apenas na defesa do desenvolvimento sustentado. Com o desaparecimento progressivo de espécies nobres como o mogno, já se percebe na Amazônia a necessidade de repor para sobreviver. "Temos de chegar a cinco mil hectares de reflorestamento", estipula Remor, também presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (Aimex). Somente assim, ele reconhece, será possível garantir no futuro a matéria-prima para a sua fábrica de produtos derivados de madeira localizada em Ananindeua, que dispõe de capacidade para produzir 40 mil metros cúbicos anuais de compensado. O reflorestamento promovido por Remor e outros empresários do estado não é homogêneo. A partir de técnicas desenvolvidas por instituições de pesquisa como a EMBRAPA, geralmente os plantios envolvem de seis a oito espécies nativas. Além do mogno, que exige 30 anos para amadurecer, plantam-se espécies de mais rápido crescimento, como cedro, paricá e breu-sucuruba. Mesmo assim, ainda vão-se passar pelo menos 10 anos até que as madeireiras do estado disponham de matéria-prima proveniente de suas próprias áreas de replantio. Por enquanto, o que conta mesmo é a exploração de madeira da natureza. E a coleta indiscriminada muitas vezes tem levado algumas espécies à ameaça de extinção. Segundo a Aimex, do total de madeiras exportadas nos seis primeiros meses de 1994, 299 mil metros cúbicos foram de madeiras serradas, enquanto 161 mil representaram os compensados, 16 mil os laminados e também 16 mil as madeiras beneficiadas. O objetivo da indústria no estado-- cujas exportações chegaram a US$252 milhões em 1993-- é se associar com empresas brasileiras e estrangeiras para ampliar a participação das madeiras beneficiadas nesse total e criar, nos próximos anos, um pólo moveleiro no Pará (GM).