A Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), órgão das Nações Unidas, e a Orgalização Latino-Americana de Integração (ALADI), que reúne 11 países da América Latina, identificaram a região sudoeste do Estado de São Paulo como uma das áreas de maior miséria do país. O diagnóstico da região, que abrange 18 municípios com população total de 333 mil habitantes, segundo o Censo de 1991, mostrou que 22,7% dessa população é indigente, de acordo com os critérios da ONU e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Essas entidades consideram indigente a família que consegue adquirir uma cesta básica por mês, no máximo. O lavantamento faz parte do projeto Configuração da População em Risco de Insegurança Alimentar na América Latina, da FAO/ALADI, e foi realizado sob a coordenação da pesquisadora paulista Mirian Cintra, com participação de técnicos das secretarias estaduais da Agricultura e Abastecimento, do Planejamento e Gestão e da Criança, Família e Bem-Estar Social. O trabalho de campo envolveu 22 grupos de risco alimentar de Itararé, a 350 km de São Paulo (capital), num total de 16 mil pessoas pesquisadas, tomadas como amostra do perfil da pobreza na região. A área é agrícola, mas os pequenos agricultores acabaram transformando-se em bóias-frias. O levantamento constatou que 12% dessa população alimenta-se basicamente de alimentos doados. Entre estes, a metade faz duas refeições diárias, 48% apenas uma e os 2% restantes, três. Cerca de 40% das refeições são feitas em escolas e instituições, 20% em creches ou hospitais e 20% nos locais de trabalho, praças e ruas. Cerca de 60% dessa população come arroz e feijão todo dia, metade consome pão e leite diariamente, mas o consumo de carne e fruta inexiste. No grupo que não recebe doação de alimentos, 55% fazem duas refeições por dia, 40% apenas uma e 5% três. O diagnóstico conclui que a totalidade da população está em precária situação alimentar. Agora, a FAO/ALADI pretende utilizar recursos internacionais para intervir na região. Os projetos serão executados com o apoio das prefeituras e comunidade. O planejamento está sendo concluído e a execução das propostas inicia-se em 1995 (O ESP).