O presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), apóia a decretação de estado de defesa na área do Grande Rio, e admite que poderá prorrogar a medida depois que tomar posse. "O Rio vive uma situação de guerra civil não declarada. Um dos maiores problemas é o governador (Nilo Batista-- PDT), nem que seja só por sua omissão diante dos fatos", afirmou. Cardoso defende a tese de que a presença federal no Rio não deve ser apenas no campo da segurança. "Só o combate ao crime não adianta. A cidade precisa se colocada num processo de recuperação cultural e econômico, porque o Rio está se desmilinguIndo", disse. Quando se reunir no próximo dia 31 com o presidente Itamar Franco, o governador Nilo Batista deverá receber um ultimato. Se não concordar em formalizar um pedido de intervenção federal no estado, estará reforçando a possibilidade de decretação de estado de defesa na área do Grande Rio, defendido pelas Forças Armadas. Cerca de 20 mil soldados deverão participar da ação federal contra o narcotráfico, controlado por 1.800 traficantes em 400 favelas, segundo levantamento dos militares. Os militares que subirão os morros do Rio para reprimir o tráfico, se for deflagrada a operação de combate ao crime, já estão escolhidos: são 600 membros das tropas de elite do Exército e da Marinha, que terão apoio da Aeronáutica. O grupo, de militares profissionais com mais de cinco anos de serviço, terá como objetivos prender traficantes e apreender armas e munição. Os traficantes têm fuzis e granadas mais modernos do que os disponíveis nas Forças Armadas para uma eventual operação de combate à violência no Rio. A informação foi levada ao presidente Itamar Franco por oficiais do Exército. Dez morteiros especiais antiaéreos que podem ser disparados de um fuzil estão entre as armas apreendidas anteontem com traficantes de Campo Grande (zona oeste da cidade). Numa clara indicação de que o presidente Itamar Franco está cada vez mais próximo de decretar estado de defesa no Rio, o Palácio do Planalto começou ontem a articular a nomeação dos integrantes que faltavam ao Conselho da República. Estarão representando a Presidência da República o empresário Emerson Kapaz e o ex-presidente do TCU Luciano Brandão. O Senado também se apressou e ontem mesmo escolheu, como seus representantes no Conselho, os senadores Alfredo Campos (PMDB-MG) e Francisco Rollemberg (PMN-SE). Os representantes da Câmara são os deputados Etevaldo Nogueira e Edmar Moreira. São seis os componentes do Conselho que representam a sociedade por indicação da Presidência, do Senado e da Câmara, com mandatos por tempo determinado. O Conselho da República é a instância a ser consultada pelo presidente antes da decretação, junto com o Conselho de Defesa Nacional, do estado de defesa. O estado de defesa é uma espécie de estado de sítio parcial, decretado pelo presidente da República para preservar e restabelecer, em locais restritos e localizados, a ordem pública e a paz social. Está definido no Artigo 136 da Constituição e sua vigência será de 30 dias, com uma possível prorrogação pelo mesmo período. Os integrantes do movimento Viva Rio reagiram ontem à proposta, de setores do governo federal, favorável à decretação de estado de defesa no Rio de Janeiro. Para eles, o problema da violência na cidade não será solucionado com uma intervenção das Forças Armadas, pois acreditam que, com tal atitude, a insegurança da população será maior. As Forças Armadas, segundo o movimento, têm que investigar, de forma efetiva, a entrada de drogas e armamento no estado (JB) (O ESP) (O Globo).