A Polícia Federal afirma ter provas da participação de assessores do Gabinete Civil da Presidência da República no esquema de corrupção envolvendo laboratórios farmacêuticos e a Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. As investigações da PF apontam Marcelo Sauguellis, ex-assessor especial do Gabinete Civil, como um dos principais contatos de lobistas com funcionários da Vigilância Sanitária. Outro braço do esquema estaria no Congresso Nacional. A PF possui uma lista de parlamentares que se encontravam periodicamente com representantes de laboratórios. A maioria deles é do PP (Partido Progressista), ao qual é filiado o ministro da Saúde, Henrique Santillo. São citados no inquérito da PF três deputados (um do Paraná, um de São Paulo e outro do Rio de Janeiro) além de um ex-senador do Distrito Federal. As investigações de um esquema de corrupção dentro da Secretaria de Vigilância Sanitária desencadearam uma crise no Ministério da Saúde. No último dia 20, o ministro Santillo afastou seu secretário-executivo, Dioclécio Campos Júnior, e o titular da Vigilância Sanitária, João Geraldo Matinelli. O afastamento foi justificado pelo fato de que os dois estariam envolvidos no esquema de corrupção para liberar registros que permitem a comercialização de medicamentos. Anteontem, Martinelli denunciou que o esquema de corrupção favorece o PP e serve para financiar a campanha da candidata do partido ao governo de Goiás, deputada Lúcia Vânia. A principal prova contra Sauguellis é um fax enviado de seu gabinete ao ex-assessor jurídico da Vigilância Sanitária José Trigo com um rascunho de medida provisória para favorecer laboratórios farmacêuticos. A proposta de MP visava revogar o decreto 793/93. De acordo com o decreto, a denominação do princípio ativo de todo medicamento deve constar na embalagem do produto. Esta exigência prejudica os grandes laboratórios. Com a denominação genérica na embalagem, qualquer pequeno laboratório pode se tornar um concorrente em potencial (FSP).