Benito Paret, presidente da Federação Fluminense das Micro e Pequenas Empresas (Flupeme), e Joseph Couri, presidente do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias de São Paulo (Simpi), estiveram, ontem, no gabinete do ministro da Casa Civil, Henrique Hargreaves, para pedir que o governo aproveite a votação da presidência do conselho do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), amanhã, para pedir que se cumpra a lei. Hargreaves deve ter se espantado com o que ouviu. Paret e Couri pediram um direito previsto em lei: que o conselho do Sebrae-- formado por 13 membros, dos quais sete são representantes de entidades empresariais e seis do governo-- tenha a participação de representantes das micro e pequenas empresas, prevista em seu estatuto. Chega a ser irônico. Criado em 1975 como uma estatal do Ministério da Indústria e Comércio e privatizado em 1990, o Sebrae-- organização não-governamental voltada para o incentivo e apoio às micro e pequenas empresas-- não possui um representante das micro e pequenas empresas no conselho, apesar de possuir três vagas reservadas para eles. O conselho impede a nomeação dos nossos membros com a alegação de que
83235 eles não preenchem os pré-requisitos para o cargo, diz Paret. A pressão dos pequenos não acontece por capricho. Eles querem ter assento no conselho que escolhe amanhã quem será o presidente de uma entidade cujo orçamento anual chega aos R$250 milhões. O mais cotado é o presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil, Guilherme Afif Domingos. Mas estão no páreo também o diretor da Confederação Nacional da Agricultura, Pio Guerra, e o consultor da Confederação Nacional do Comércio, Flavio Pecura. O que é o Sebrae: -- Orçamento 94: R$250 milhões. -- Quantidade de escritórios regionais: 27. -- Gasto com custeio do órgão: 5% do orçamento. -- Atendimento diário: 20 mil consultas. -- Cursos promovidos: 22 mil/ano. -- Feiras organizadas: 2 mil/ano. -- Número de micro e pequenas empresas no Brasil: 4 milhões (JB).