Metade dos trabalhadores brasileiros não contribui para a Previdência Social. E 49,5% estão ativos em empreendimentos com, no máximo, cinco pessoas. Estes e outros indicadores, que confirmam o alto nível de informalidade do mercado de trabalho no país, constam do Anuário Estatístico do Brasil (1993), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São 30,739 milhões de pessoas trabalhando em pequenos empreendimentos-- de serviço doméstico executado individualmente a microempresas. Os números são de 1990 e apresentam crescimento de um ponto percentual em relação aos 48,5% de 1989. Quanto ao desconto para a Previdência, o menor percentual de contribuintes está no Nordeste: apenas 28,9% dos trabalhadores ocupados descontam o tributo. No Sudeste, a taxa chega a 63,7%, enquanto no Sul fica em 49,8% e no Centro-Oeste, em 44,4%. O Anuário informa ainda que 22,8% dos trabalhadores estão no setor agrícola e 15,2% na indústria de transformação. Quanto à jornada de trabalho, uma em cada cinco pessoas ocupadas cumpre 49 horas semanais ou mais-- 24,7% na média, taxa que entre os empregados (com ou sem carteira) cai para 19,8%, entre os que trabalham por conta própria sobe para 34,13% e entre os empregadores, para 50,2%. A jornada rural é muito maior do que a urbana: 32,9% trabalham 49 horas ou mais no campo, contra 19,10% na cidade. O documento traz dados sobre o comércio: queda de vendas de 21% em 1990, com redução de 3,2% do emprego e de 25% da massa salarial (O Globo).