ELEIÇÃO CONSAGROU TESE DO VOTO DISTRITAL

Os grandes partidos estão preparados para a implantação do voto distrital misto. O resultado das urnas mostrou a opção do eleitorado pela regionalização do voto. Líderes partidários, inclusive, garantem que, se nas últimas eleições proporcionais a legislação já determinasse o sistema, a composição das bancadas federais por São Paulo praticamente seria a mesma. "As modificações seriam uma exceção, porque o eleitorado distritalizou o voto", diz o deputado estadual João Oswaldo Leiva, presidente em exercício do PMDB em São Paulo. O PMDB fez 14 deputados, dos quais 11 conseguiram se eleger principalmente com votos de uma determinada região, sendo três deles ex-prefeitos. Os próprios partidos se renderam à força da "distritalização" do voto como tendência irreversível na montagem de suas chapas. O PSDB, que fez a maior bancada (15), é o melhor exemplo. Evando Luiz Lofaço, primeiro secretário-geral do partido em São Paulo, confirmou que o PSDB procurou montar sua chapa contemplando a dinâmica regional, para evitar surpresas desagradáveis. "O voto distrital misto é a melhor vacina contra fraudes como a ocorrida no Rio de Janeiro, porque evita a dispersão do voto. E torna as campanhas mais baratas", diz o deputado eleito Franco Montoro. A distritalização" do voto é uma força inegável e praticada ostensivamente pela própria mídia. No Grande ABC, o jornal e a emissora de rádio locais fizeram campanha aberta para o eleitor votar somente em candidatos da região", diz o deputado reeleito João Mellão Neto (PL), cujo partido fez cinco deputados, dos quais três ex-prefeitos (O Globo).