Até a posse do novo governador, em 1o. de janeiro de 1995, o Rio de Janeiro corre o risco de assistir novos episódios de violência protagonizados pela polícia, teme o antropólogo Rubem César Fernandes, presidente do movimento Viva Rio. Na semana passada, a invasão da Favela Nova Brasília por cerca de 150 policiais resultou na morte de 13 moradores-- apenas três com antecedentes criminais. Fernandes acha que esse momento, que sucede o primeiro turno eleitoral e antecede a posse do novo governador, mergulhou o Rio num "período de não-governo". Na opinião do antropólogo, o governador Nilo Batista (PDT) demonstrou claramente que não tinha nenhum controle do que estava se passando na favela Nova Brasília no dia do ataque policial aos supostos traficantes. O Viva Rio, que Fernandes preside, é um movimento "ecumênico" que reúne intelectuais, sindicalistas e empresários preocupados com a situação da cidade. O principal objetivo do grupo é conseguir reunir numa mesma mesa representantes dos governos federal e estadual para debater alternativas ao estado de violência do Rio-- meta que foi deixada para 1995 (FSP).