EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA TEM BONS RESULTADOS

O governo federal está interessado em estimular a educação à distância para levar instrução básica a milhares de brasileiros. Segundo a diretora do CEN (Centro Educacional de Niterói- RJ), Myrthes De Luca Wenzel, há duas evidências desta possibilidade: a proposta de diretrizes para essa atividade elaborada pelo Ministério da Educação e que foi enviada a vários especialistas para apreciação e a manifestação de apoio do presidente eleito Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à manutenção e consolidação desse sistema de ensino. Para Myrthes, a educação à distância é uma alternativa de ensino válida para o Brasil pelo fato de que sua metodologia foi desenvolvida, basicamente, a partir do interesse de cada aluno em aprender. A segunda vantagem é o acompanhamento constante do estudante por um professor habilitado. Isso faz com que o sistema não apresente casos de reprovação. Esses dois fatores atraíram o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que assinou há cinco anos um convênio com o CEN para aumentar o número de pessoas beneficiadas pelo sistema. Através dele, o Centro pôde instalar uma gráfica bem equipada para a produção de material de trabalho (folhetos, folders, cadernos e, principalmente, livros didáticos). O convênio durou 42 meses, período suficiente para que o CEN superasse as metas propostas pelo BID: 6.320 pessoas aprovadas no primeiro grau (a meta era de seis mil) e 20.738 aprovados no segundo grau (o objetivo era atingir apenas 1.500 estudantes). A superação das metas deixou os técnicos do BID impressionados, aumentando a esperança de Myrthes Wenzel na renovação do convênio. Mas isso ainda não é suficiente para a consolidação do sistema no Brasil. Há carência de recursos devido ao custo substancial dos recursos necessários: mão-de-obra qualificada e material didático adequado, pois o ensino é desenvolvido de acordo com o ritmo do aluno. Ficamos satisfeitos com a boa impressão dada ao BID, mas desejamos que
83184 esse efeito atinja a sociedade brasileira, que, infelizmente, ainda não
83184 conhece os benefícios da educação à distância, afirma a diretora do CEN. Ela admitiu que o desconhecimento do assunto não é explicado apenas pela falta de espaço e de tempo nos meios de comunicação, mas, também, pela falta de divulgação do sistema pelas empresas que o adotaram. Ressalvando não saber os motivos da reserva de cada uma das empresas em relação à promoção institucional de suas iniciativas, Myrthes Wenzel destaca que os empresários e executivos estão satisfeitos com os resultados obtidos junto aos funcionários em termos de qualidade. O sistema de educação à distância mantido pelo CEN está voltado para estudantes maiores de 14 anos, no caso do primeiro grau, e para maiores de 17 anos, no caso do segundo grau. O atendimento a empresas é feito através de módulos institucionais, desenvolvidos através de estruturas denominadas "Núcleos de Tecnologia Educacional", num total de 34 no Estado do Rio de Janeiro e de seis, ao todo, nos Estados do Pará, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e São Paulo. A mesma estrutura é oferecida a organizações de natureza pública, como a Diretoria de Portos e Costas do Ministério da Marinha e às prefeituras de Itatiaia e Vassouras. Em todos os casos, os custos foram assumidos pelos clientes. Desenvolvida efetivamente pelo CEN a partir de 1979, a educação à distância atinge, atualmente, em todo o Brasil, aproximadamente 25 mil pessoas. Porém, o próprio Centro não dispõe de indicadores quantitativos sobre as características dessa clientela. Ressalvando estar mais preocupada com a qualidade do que com a quantidade, Myrthes Wenzel assinala que uma evidência do sucesso do sistema é o índice de cerca de 80% de aprovações no vestibular por alunos que cursaram o secundário à distância (JC).