BRASIL JÁ TEM SEU PRÓPRIO CARTEL DA COCAÍNA

Medellin é aqui, mais precisamente em Mato Grosso do Sul. Levantamento mantido em segredo pelos órgãos de inteligência da Polícia Federal aponta que a estrutura do tráfico de cocaína no Brasil mudou de perfil. Antigos contrabandistas brasileiros, organizados num cartel-- semelhante ao da máfia colombiana do narcotráfico-- mudaram de ramo e assumiram a distribuição de pó. Segundo a polícia, esse cartel brasileiro controla uma faixa de 600 quilômetros de extensão na fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia, de Corumbá a Mundo Novo, em Mato Grosso do Sul-- portões de entrada da droga no país. Atualmente, o grande entreposto da cocaína é o município de Pedro Juan Cabalero, no Paraguai, cidade separada de Ponta Porã (MS) apenas por uma via pública, a Avenida Internacional. De lá saem, atualmente, 70% da cocaína enviada do Brasil para Europa,
83177 África e EUA, e 90% do que é consumido no mercado interno. Muitas
83177 fazendas de Pedro Juan Cabalero viraram armazéns da cocaína comprada pelo
83177 cartel na Bolívia, no Peru e na Colômbia, diz um agente da Polícia Federal. Apenas este ano, a PF apreendeu 10,8 toneladas de pó, o equivalente a US$350 milhões no atacado europeu. O volume é superior a tudo o que se confiscou desde a criação do DPF até 1992, mas a própria polícia reconhece que é muito pequeno em relação à quantidade de cocaína que entra no país para consumo interno ou destinada à exportação. A descoberta do cartel brasileiro é muito mais resultado de uma guerra travada entre as quadrilhas-- e que tem produzido, em média, um cadáver por dia na região da fronteira-- do que da ação direta dos órgãos de repressão. A guerra começou com o assassinato de Adilson Rossati Sanches, um dos mais antigos contrabandistas de Ponta Porã, que migrou para o tráfico de cocaína. Os contrabandistas que controlam a fronteira usam criminosos foragidos de grandes centros como mão-de-obra do tráfico e, de acordo com as conveniências, eles mesmo determinam as execuções. "O crime organizado usa aqui o que chamamos de curva de rio (locais onde ficam armazenados os dejetos arrastados pela correnteza)", afirma o coronel Nilton Tadeu Ferreira, que comanda o Grupo de Operações de Fronteira (GOF), esquadrão integrado por policiais civis e militares, criado para combater o furto e roubo de automóveis na divisa de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia. Segundo ele, os corpos são "desovados" às margens de estradas vicinais ou em cemitérios clandestinos entre Ponta Porã e Dourados. O equilíbrio de forças na região é mantido pelos contrabandistas- traficantes. Eles têm base na área rural de Pedro Juan Cabalero, "lavam" o dinheiro através de empresas de fachada voltadas para o comércio de muamba e ostentam seu poder comprando belas mansões no lado paraguaio (JB).