PRIVATIZAÇÃO DA VALE É TRUNFO DO FUTURO GOVERNO

A mais eficiente e rentável estatal brasileira-- a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)-- entre no programa de privatização do próximo governo como um trunfo importante para o sucesso do programa de estabilização econômica. Desta vez, o objetivo da venda não será desonerar o Tesouro Nacional de mais um escoadouro de dinheiro público, como ocorreu com a maior parte das empresas privatizadas até agora, mas sim atingir dois importantes alvos: recolher aos combalidos cofres da União recursos que podem ultrapassar US$10 bilhões e, ao mesmo tempo, provocar um forte enxugamento da quantidade de dinheiro em circulação da economia já que a intenção da equipe econômica é estipular que o pagamento seja feito basicamente em cash. A entrevista que o presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), concedeu à revista "Exame" há cerca de um mês, na qual deixou claro que vai vender a companhia, acendeu a discussão no mercado. Este já era seu projeto quando ainda ministro da Fazenda. A negativa do presidente Itamar Franco de colocar a empresa no programa de privatização, no entanto, frustou, na época, o plano da equipe econômica de conseguir um forte reforço de caixa e ao mesmo tempo um aperto monetário, pela grande quantidade de dinheiro que sairia de circulação da economia. Mas se o plano empacou na gestão Itamar, não há dúvidas na equipe que colocar a Vale à venda será uma das primeiras providências a serem tomadas pelo novo governo no ano que vem. Por isso, bancos, investidores e consultorias buscam dados sobre a companhia. Mas o grande questionamento é sobre qual será o modelo de privatização da empresa. Há dúvidas se ela deve ser vendida em bloco ou desmembrada entre as 40 subsidiárias que operam em 10 estados brasileiros e no exterior. Os números da CVRD são os seguintes: -- Patrimônio líquido: US$8,2 bilhões. -- Investinebtis previstos para 1994: US$347 milhões. -- Empregados: 17.829. -- Empresas do grupo (coligadas, controladas e participações): 40. -- endividamento: UU$953 milhões. -- Exportações em 1993: US$1,2 bilhão. -- Participação no mercado mundial de minério de ferro: 25%. Os projetos em andamento da CVRD são: -- Alunorte: 1,1 milhão de toneladas/ano de alumina. Início: 1995. Investimento: US$875 milhões. Participação: 50%. -- Pará Pigmentos-- 1,5 milhão de toneladas de caulin/ano. Início: 1995. Investimento: US$295 milhões. Participação: 49%. -- Salobo-- 150 toneladas/ano de cobre, oito toneladas/ano de ouro e 17 toneladas/ano de prata. Início: 1998. Investimento: US$782 milhões. Participação: 55%. -- Celmar-- 420 mil toneladas/ano de celulose. Início: 2003. Investimento: US$1,2 bilhão. Participação: 30%. -- Cenibra-- 700 mil toneladas/ano de celulose. Início: 1995. Investimento: US$811 milhões. Participação: 51%. -- Igarapava-- 130 mil megawatts de energia hidrelétrica. Início: 1997. Investimento: US$270 milhões. Participação: 35%. A composição acionária da CVRD é a seguinte: -- Tesouro Nacional: 51%. -- Fundos estrangeiros: 10%. -- Fundos de pensão: 14%. -- Outros: 25% (JB).